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terça-feira, 9 de novembro de 2010

A resenha bibliográfica

A resenha bibliográfica


por Antônio Joaquim Severino*

Uma resenha comporta várias partes lógico-redacionais:

Cabeçalho: transcreve os dados bibliográficos completos da publicação resenhada.

Pequena Informação sobre o autor do texto. Dispensável se o autor for muito conhecido.

Exposição sintética do conteúdo do texto. Esta exposição deve ser objetiva e conter os pontos principais e mais significativos da obra analisada. Pode seguir capítulo ou parte por parte. Deve passar ao leitor uma visão precisa de teor do texto.

Comentário crítico. Trata-se da avaliação que o resenhista faz do texto que leu e sintetizou. Essa avaliação crítica pode assinalar tanto os aspectos positivos quanto os aspectos negativos. Assim, pode-se destacar a contribuição que o texto está trazendo para determinados setores da cultura, sua qualidade científica, literária ou filosófica, sua originalidade etc; negativamente, pode-se explicitar as falhas, incoerências e limitações do texto.


As críticas devem ser dirigidas às idéias e posições do autor, nunca a sua pessoa ou às suas condições pessoais de existência. Quem é criticado é o pensador/autor e suas idéias e não sua pessoa. É sempre bom contextuar a obra a ser analisada, no âmbito do pensamento do autor, relacionando-a com seus outros trabalhos e com as condições gerais da cultura da área, na época de sua produção.

Na medida em que o resenhista expõe e aprecia as idéias do autor, ele estabelece um diálogo com o mesmo. Nesse sentido, o resenhista pode até mesmo expor suas próprias idéias, defendendo seus pontos de vista, coincidentes ou não com aqueles do autor resenhado.

Como construir a resenha?
Com relação à elaboração de uma resenha, ter presente as seguintes orientações:

O cabeçalho é composto pelos dados bibliográficos do livro, a fim de se ter a identificação do texto a ser resenhado. Transcritos esses dados, construir a resenha dando os passos que se seguem. Não há necessidade de capas, páginas de rosto, etc.

Fazer algumas considerações introdutórias, contextuantes, para se criar um clima, dando a entender qual o âmbito do problema que o livro vai discutir.

Em seguida trazer algumas informações sobre o autor: quem é ele, qual a sua área de formação e de especialização, se já publicou outras obras, quais as suas principais posições, para que escreve o atual livro, etc.

Num momento seguinte, retomar e expor os principais elementos do conteúdo do livro, acompanhando o raciocínio do autor. Não é preciso detalhar muito. Se for o caso, destacar algum ponto mais relevante.

Concluir com algumas considerações finais, inclusive críticas. Trata-se de um livro importante? Por quê? Traz alguma contribuição? Para quem? Vale a pena ser lido? Por quê? Quem deve lê-lo? As posições do autor são coerentes, sólidas? São originais ou o autor é repetitivo? Etc.

No decorrer do texto, pode-se inserir pequenas passagens, quando relevantes e ilustrativas, colocando-as entre aspas e citando a página de onde foram transcritas. Mas não se deve fazer citações de outras fontes nem inserir outras referências bibliográficas. Também os comentários e apreciações podem ser distribuídos ao longo do texto, quando oportuno.
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* Professor titular de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da USP
** Fonte: SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez Editora, 2007, p. 210 (23ª edição revista e atualizada). Publicado com a autorização do autor.




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Formulário de resenha bibliográfica


A resenha deve ser escrita em texto corrente (letra 12, tipo Times New Roman ou Garamand, espaço simples), com 2 a 3 páginas.
  • Nome do Resenhista:
  • Bibliografia completa do artigo: (autor, título do texto, nome do periódico, vol. e/ou no., ou data da revista, ano, página inicial e final do artigo (endereço da Internet, quando for o caso).
I.                   Conclusão sumária da Autoria:
II.                Digesto:
a.       O ‘problema’ da pesquisa que o autor trata;
b.      Seqüência argumentativa ou demonstrativa que conduziram às conclusões;
c.        Em quantas partes se divide o artigo e o que é tratado em cada uma delas, de forma resumida.
III.             Metodologia da autoria:
a.       Como o autor comprovou os argumentos;
b.      O resenhista deverá caracterizar as linhas metodológicas utilizadas pelo autor na elaboração do texto analisado
IV.              Quadro de referência da autoria (opcional):
a.       Se possível concluir como o autor se posiciona diante das perspectivas (teorias) utilizadas ou criticadas, ou a escola de pensamento que está filiada a autoria.
V.                 Crítica do resenhista:
a.       O resenhista deverá explicitar seu parecer objetivo sobre o artigo: as críticas deverão estar embasadas pelos conteúdos teóricos a partir dos quais o resenhista estabeleceu sua análise (se possível);
b.      O resenhista deverá explicitar pontos de concordância ou discordância com o autor.
c.       Não basta dizer que concorda ou discorda da autoria, é preciso indicar em que você discorda ou concorda, o porquê de seu posicionamento e subsidiá-lo, se possível, cientificamente.
VI.              Relevância do texto para o objeto da disciplina: Pontos, argumentos ou dados constantes do artigo que serão importantes para a disciplina. Os trechos citados deverão vir acompanhados do número da página de onde foi retirado.


OBS: Lembre-se que uma resenha deve ser escrita com suas próprias palavras, ou seja, as idéias do autor devem ser recompostas por meio de paráfrases. Sua resenha não pode ser uma transcrição do artigo, deve ser um novo texto. Quando for necessária a utilização de trechos do livro, estes devem vir diferenciados por aspas e com a indicação da página. 


Resenha (exemplo)

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Autor Elvis Rossi Mello 

Resenha Bibliográfica “Técnicas de comunicação escrita”, Izidoro Blikstein. São Paulo: Editora Ática, 2003. 97 p.

Apresentação O livro Técnicas de comunicação escrita foi desenvolvido por Izidoro Blikstein, especialista em lingüística e semiótica, professor orientador de várias teses nos departamentos de pós-graduação da PUC-SP e da USP. O autor fez pesquisas em: GARCIA, Othom M. Comunicação em prosa moderna; GUIRAUD, Pierse, A Semiologia; LUFT, Celso Pedro, No guia ortográfico; WHITAKER, Penteado J.R., A técnica da comunicação humana.

Resumo Neste livro o autor “brinca” um pouco com a língua portuguesa, narrando uma pequena história que desencadeia uma grande confusão por falta de entendimento entre patrão e colaborador.

No capitulo I, “Quem não escreve bem...perde o trem!”, o autor narra uma historia muito interessante de um bilhete escrito por um patrão à sua secretaria. A confusão começa quando o patrão escreve o bilhete de maneira imprópria e errada, tanto na escrita quanto na clareza de suas ordens para a secretaria. É um bilhete pedindo para que a secretaria comprasse uma passagem de trem para a Cidade do Rio de Janeiro às 8:00 horas do dia seguinte, no entanto, a secretaria quando lê o bilhete, entende seu pedido de maneira diferente, da qual seu patrão imaginara ter escrito. A conclusão foi uma grande confusão, pois o patrão perdeu o trem e perdeu um possível cliente.

No capitulo II, “Segredos da comunicação escrita”, podemos observar varias dicas para se escrever bem, para que a pessoa que estiver lendo o que escrevemos, esteja entendendo o que realmente estamos querendo transmitir. Aqui o autor mostra onde o patrão errou ao redigir o bilhete, e como ele deveria ter escrito de maneira correta, para que a secretaria não tivesse que “interpreta-lo” ao lê-lo. Comunicar-se bem ou escrever bem não é luxo, nem exibicionismo, é uma questão de sobrevivência.

No capitulo III, “Estrutura e funcionamento da comunicação”, o autor nos mostra que para haver uma comunicação, deve haver o remetente e o destinatário da mensagem. Quando escrevemos uma mensagem não podemos pensar em apenas nós mesmos, é preciso que nos preocupemos principalmente com o destinatário. Há varias coisas que devemos observar quando estamos passando uma mensagem: como pegar a idéia, mensagem de signos, associando-se entre estímulos físicos e uma idéia, codificação e decodificação, enxergar a meta, ter domínio dos códigos, ou seja, aquilo que você pode ver, e a quem esta escrevendo.

O capitulo IV, “Ganchos para agarrar o leitor”, nos mostra como uma leitura pode ou não ser atraente, e que chame a atenção do leitor. Um bom modo para atrai-lo é não sobrecarregar a mensagem com informações muito complicadas, muito difíceis de ser entendidas. Utilizando um modo simples de escrever com palavras descomplicadas, e de preferência utilizando gravuras para ilustrações das mesmas, pode-se alcançar os objetivos em um menor tempo.

No capitulo V e VI, o autor faz um resumo dos capítulos anteriores, e diz que para termos uma boa comunicação, temos que fazer uso de algumas técnicas, tais como: remetente, destinatário, mensagem, código, repertorio, veiculo, entre outras, e como toda boa receita devemos utilizar com bom senso e uma visão critica.

Crítica O livro Técnicas de comunicação escrita de Blikstein, tem uma leitura agradável, pois ele escreve de maneira fácil de ser entendido. O autor tem vasta experiência no mundo acadêmico e editorial. Pode-se dizer que ele atingiu seus objetivos, passando suas idéias e inovando com exemplos que prendem a atenção do leitor. A leitura torna-se uma brincadeira, pois logo na primeira página, ele escreve um pequeno texto, e tudo mais a seguir gira em torno deste texto. Por fim, indico este livro a pessoas que gostam de português, e querem se aprofundar um pouco mais nas maneiras corretas de comunicação, é uma leitura agradável e um livro bem editado.